Entrevista
José de Assis Tito
"A mídia Ooh – Out of home"

Com mais de 30 anos de experiência no ramo da Comunicação, José de Assis Tito é Vice-Presidente do SEPEX MG – Sindicato das Empresas de Publicidade Exterior de Minas Gerais e Diretor da ASDOOR – Associação das Empresas de Outdoor e Similares do Interior de Minas Gerais. Recentemente, tem viajado a Brasília para encontros com Michel Temer e outros importantes políticos para defender a volta das campanhas políticas em outdoor, atualmente proibidas.
José de Assis Tito é Sócio-Diretor da Mídia Provider – empresa de representação de mídia exterior, que atende grandes agências e anunciantes em todo Brasil. De seu escritório, em Belo Horizonte, nos concedeu a seguinte entrevista:
UNICO – Com sua grande experiência com diferentes tipos de mídia - TV, rádio, jornal impresso, por que escolheu a mídia exterior como atividade principal?
Assis Tito – Do ponto de vista publicitário, a mídia exterior é tão ou mais importante que os demais meios – TV, rádio, jornal ou revista. A seu favor tem a crescente urbanização do Brasil e a atividade fora de casa, seja do homem ou da mulher, adulto ou jovem, rico ou pobre. A mensagem é exposta na via pública, grátis para o consumidor e com grande força de impacto, em muitos casos, bem próximo ao ponto de decisão de compra.
UNICO – É possível defender a mídia exterior diante da crescente preocupação com a poluição visual?
Assis Tito – Sim! A comunicação na via pública é necessária, em alguns casos, fundamental. O fator poluição vem da ausência do poder público em sua tarefa de disciplinar o uso do espaço urbano. Nas principais capitais do mundo, como Nova Iorque, Paris, Londres, existe a comunicação na via publica e não é tida como elemento poluidor. A visão que se tem é que é um canal de comunicação eficiente, barato e impulsionador de negócios. No turismo é peça muito importante.
UNICO – Recentemente, sua movimentação junto ao SEPEX MG e à ASDOOR em favor da volta da propaganda política em outdoor tem exigido grande esforço. Afinal, por que a propaganda política em outdoor foi proibida?
Assis Tito – Proibir o uso do outdoor nas eleições foi uma decisão equivocada do Congresso Nacional em 2006, quando no clima do “denuncismo” da corrupção eleitoral, foi aprovada uma lei que proibia showmícios, camisetas, bonés e outdoors. De modo emocional, de difícil explicação, o outdoor entrou nessa restrição. Hoje, se vê isso como erro e tramitam na Câmara e no Senado projetos de lei que corrigem essa distorção, voltando a permitir que o uso do outdoor nas eleições seja restabelecido de modo disciplinado pelo Superior Tribunal Eleitoral.
UNICO – Se houver sucesso nesta “empreitada” com a volta da propaganda política em outdoor, quais serão os benefícios para a população?
Assis Tito – A população terá mais chances de conhecer os candidatos. O outdoor é democrático, ele oferece oportunidades equitativas aos partidos.
UNICO – Alguns profissionais defendem a mídia exterior porque ela muda o ambiente no qual as pessoas transitam, chamando a atenção. Mas hoje, as pessoas recebem uma “avalanche” de informações a todo instante, o que exige mais criatividade dos profissionais de comunicação. Um simples outdoor continua sendo uma boa mídia?
Assis Tito – Sim. Existe uma tendência de chamar de outdoor, numa tradução direta “fora da porta”, ou mídia out of home – “fora da casa”, não só aqueles cartazes colados em papel ou lona, no tradicional tamanho 9m X 3m, mas tudo que comunica e está na via pública, como empenas – lonas instaladas nas laterais dos edifícios, ou frontlights - cartazes iluminados colocados sobre postes. Por exemplo: uma empena de uma operadora de uma telefonia valoriza muito a marca do produto ou serviço. Como se diz normalmente: “agrega valor à marca ou produto”.
UNICO – De vez em quando, surgem exemplos muito criativos de campanhas usando abrigos de ônibus, outdoors que se movimentam e até “pimentas gigantes” que vão de um lado ao outro de uma rodovia. Há algum exemplo inusitado de campanha que chamou sua atenção pela criatividade ou ousadia?
Assis Tito – Muitos. O mais recente, que me chamou a atenção, foi de uma campanha contras as drogas, no interior de São Paulo, feita por estudantes secundaristas através de um concurso do programa “Mais você”, de Ana Maria Braga, na TV Globo, com apoio de Washsington Olivetto da W/Brasil.
UNICO – Com o crescimento de outros tipos de mídia como a Internet, como imagina o futuro da mídia exterior?
Assis Tito – A internet veio para facilitar todos os meios, o jornal, a TV, o rádio e também a mídia exterior. A partir do advento da internet, todos sofreram alterações acrescentando agilidade, interatividade e economia de escala. Isso acontece na mídia exterior. Vejo a internet como uma aliada do outdoor. São meios complementares. Uma das maneiras mais eficazes de fazer saber que um site existe é anunciar no outdoor. A melhor ferramenta que o outdoor tem para se tornar um veículo ágil é a internet.
UNICO – O projeto “Cidade Limpa” implantado em São Paulo será copiado por outras capitais e grandes cidades?
Assis Tito – O projeto Cidade Limpa é um equívoco. O poder público, diante de sua incapacidade de disciplinar e fiscalizar o meio, foi para o outro extremo: acabar com o meio. Se ante sua incapacidade de fiscalizar, o poder público resolvesse acabar com tudo o que não consegue fazer com eficiência, não sobraria transporte urbano, bares, restaurantes e outras coisas mais. Apesar disso, está sendo aceito por algumas cidades. Seu avanço depende da filosofia de cada prefeito.