Entrevista - Lawrence Machado
14 de fevereiro de 2009
Lawrence Machado é Especialista em Finanças Corporativas; Professor titular da Faculdade de Pará de Minas - FAPAM; Professor titular da FATEC COMÉRCIO/BH (Graduação e Pós-Graduação); Consultor Credenciado pelo SEBRAE MG em Finanças e Planos de Negócios; Consultor/Diretor da CAULE CONSULTORIA EMPRESARIAL E COMÉRCIO LTDA; Instrutor em Treinamentos Empresariais (Custos e Formação do Preço de Venda, Gestão Financeira, Jogos Empresariais); Elaborador de Projetos de Viabilidade Econômica e Financeira de Investimentos; Consultor na Implantação do BSC (Balanced Scorecard)..
Nesta entrevista, Lawrence conta como a Economia e o Marketing se complementam; fala um pouco dos principais erros de gestão cometidos pelas empresas e revela que tipo de atitude os empresários devem tomar para que seus negócios saiam fortalecidos da crise econômica atual.
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UNICO: Quais são as principais atividades da sua empresa?
Lawrence: A Caule Consultoria atua nas seguintes áreas:
- Consultoria econômica e financeira;
- Contabilidade gerencial por meio da análise de índices e indicadores econômicos e financeiros;
- Elaboração e análise de projetos corporativos de viabilidade econômica de financiamentos e investimentos;
- Elaboração e análise de viabilidade econômica e financeira de Balanços;
- Gerência financeira (negociações comerciais; administração, elaboração e análise de fluxo de caixa);
- Gestão de custos (implantação e gerenciamento de decisões) e formação de preços;
- Perícia nas áreas econômica e financeira;
- Aplicação de cursos e seminários nas áreas financeira e de custos, viabilidade de negócios e “Jogos Empresariais”.
UNICO: A Caule Consultoria tem foco em um ramo de atividade específico, ou seus serviços podem ser aplicados em empresas de qualquer segmento e qualquer porte?
Lawrence: Este tipo de trabalho se aplica em qualquer segmento, seja indústria, comércio ou serviços. Na verdade, estamos tratando de investimentos, independentemente do segmento, que vão ter os seus custos, despesas, receitas e que terão que gerar retorno para sua prosperidade e crescimento. A diferença está na magnitude de informações apropriadas no trabalho e, principalmente na relevância que se dá na gestão das informações para tomada de decisões.
UNICO: Há quem diga que o Marketing surgiu para cobrir lacunas deixadas pela economia, já que o Marketing define produtos, preços, comunicação e métodos de vendas de forma adequada, estimulando o consumo e mantendo a economia saudável. Você concorda?
Lawrence: Em certa parte, porque não se trata de uma lacuna deixada pela economia, e sim uma necessidade. A economia não é uma coisa isolada. É um conjunto que movimenta os recursos (capital, trabalho e informação) para atender as necessidades (demanda). Essa é a grande lógica de um negócio, “suprir necessidades” e não apenas gerar lucro, como muitos dizem. O Marketing é uma ferramenta que ajuda muito para esse movimento, assim como o Direito, a Contabilidade, a Administração etc. O Marketing tem um papel muito importante sim, pois trata de estratégias que traduzirão as necessidades em real potencial de consumo.
UNICO: A maioria das empresas brasileiras fecha suas portas antes de completar 05 anos de atividade. Baseado em sua experiência como consultor, quais os erros mais comuns cometidos pelos empresários e executivos para "engrossar" as estatísticas?
Infelizmente, esse índice de mortalidade dos negócios é uma realidade.
Lawrence: Em minha opinião, o que mais contribui para essa estatística é a falta de informação. No caso brasileiro, temos ainda um perfil de empreendedorismo “por necessidade” e não por oportunidade, o que faz piorar a situação. O empreendedor por necessidade – aquele que, por falta de oportunidades de alocação no mercado de trabalho, emprega todas as economias conquistadas ao longo da vida num empreendimento – não faz análises de mercado para identificar se realmente existe demanda para os produtos ou serviços que serão oferecidos (lógica) e muito menos um plano econômico e financeiro do investimento inicial. É comum encontrar empresários que não avaliam se o negócio trará retorno e em quanto tempo recuperará o capital investido, se o negócio será lucrativo e rentável e o que fazer para torná-lo viável, ou mesmo, quanto teriam que faturar por mês para alcançar um equilíbrio financeiro e não entrar no prejuízo.
Enfim, são informações de extrema importância que deveriam estar claras ao se decidir montar um negócio. Infelizmente, nem o custo do capital investido, que terá um peso fundamental no retorno do investimento, é conhecido e avaliado.
UNICO: Além da grande burocracia fiscal, o Brasil tem uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo, o que prejudica o empreendedorismo. Há o que fazer para minimizar o peso destas "armadilhas", antes ou depois de abrir uma empresa?
Lawrence: Sim, neste caso estaremos entrando novamente na questão da informação. Realmente o peso da cunha fiscal é sacrificante e a concorrência, que não detém informação, pode provocar uma cadeia muito perigosa pela falta de apropriação adequada da cunha fiscal nos preços. Mas, em virtude dessa burocracia elevada, podem ser identificados alguns benefícios fiscais que poderão dar outra conotação nos custos e preços e até mesmo na análise do investimento.
UNICO: Você pode dar algumas dicas para quem deseja fazer do clichê uma realidade e "sair fortalecido da crise"?
Lawrence: Estrategicamente, uma empresa pode se diferenciar por três maneiras: Preço, Qualidade ou Atendimento. Acontece que muitos empreendedores tentam praticar todas as maneiras de uma só vez. Aí vai uma dica: “é completamente impossível”. A empresa pode se diferenciar no mercado por preço, por exemplo, e praticar um bom atendimento e porque não uma boa qualidade também. Mas, o cliente vai conseguir identificá-lo pelo diferencial “preço”. Ou, a empresa vai explorar como diferencial o atendimento, o que não a impede também de ter um bom preço e uma boa qualidade. Mas, o cliente vai conseguir identificá-lo pelo diferencial “atendimento”. O que estamos presenciando é que o mercado está oferecendo produtos e serviços com preços e qualidades quase uniformes. Onde está o grande diferencial na atualidade? O atendimento. Realmente a imagem é tudo. Trazer isso para uma realidade corporativa, às vezes, é muito difícil. Então para sair fortalecido da crise, será preciso “estratégia”. E por que não lembrar sempre que o cliente tem significativa importância? Por isso, além de conhecer, entender e atender com eficiência e eficácia, será preciso lembrar que seu produto ou serviço deverá atender pessoas, seus desejos, anseios e necessidades diversas, o que definirá se sua empresa irá permanecer ou não no mercado. “A imagem é tudo”.
Para visitar o site da Caule Consultoria, acesse www.cauleconsultoria.com.br.