Competência X Princípios
Por Fabiano Parreiras
Entendo como competente o profissional que sabe executar as tarefas que lhe são atribuídas, conhece o ambiente no qual atua e domina as técnicas de uso dos recursos necessários para o desempenho do seu trabalho. Ser chamado de incompetente pode ou não ser uma ofensa, dependendo do contexto: eu seria um jogador de futebol incompetente e assumo, sem constrangimentos, esta minha condição.
Porém, acredito ser possível corrigir problemas de competência. Praticamente qualquer indivíduo pode adquirir certas habilidades, mesmo sem apresentar talento inato para um trabalho qualquer. Muito treino e dedicação podem ajudar uma pessoa a desenvolver habilidades que tornarão possível realizar determinada tarefa, quase tão bem quanto uma pessoa nitidamente talentosa.
Ocorre que um profissional não se faz somente de habilidades técnicas. Um profissional é também um ser humano e, como tal, depende de princípios e valores. Vejo profissionais competentes prejudicando suas carreiras por causa de atitudes condenáveis:
- Sonegar informações que poderiam ajudar um colega da empresa;
- Não colaborar com um novo projeto por simples vaidade: - “A idéia não foi minha”;
- Roubar a idéia alheia para a sua própria promoção;
- Não se interessar pelo aprendizado e pelo progresso – ser acomodado;
- Prejudicar injustamente a imagem de outrem por medo de perder sua posição na empresa...
Estas são questões difíceis de resolver porque dependem da personalidade de cada um e transformar o caráter do indivíduo é mais trabalhoso, mais demorado e mais arriscado que torná-lo simplesmente competente para vender um produto, por exemplo.
Aproveito este momento para citar uma teoria bastante utilizada para definir personalidade:
“P = NAV”
Onde:
P = Personalidade
N = Natureza (genética)
A = Ambiente
V = Vontade
Certos traços da nossa personalidade são herdados. Nascemos com certas características ou tendências de comportamento, mas o ambiente em que vivemos interfere diretamente na formação da personalidade. Além disso, existe o livre arbítrio. Se tivermos vontade de sermos pessoas melhores, poderemos mudar nosso jeito de ser. É também por isso que os testes psicológicos realizados nos exames admissionais têm validade de 06 meses: as pessoas mudam.
Pois, bem! Em nossos ambientes de trabalho, lidamos com profissionais competentes que apresentam as mais diversas personalidades: pessoas bem e mal intencionadas, seguras e inseguras, dominadoras ou não. Os profissionais competentes que contam com bons princípios têm grandes chances de alcançar sucesso e felicidade. Os que são apenas competentes podem vencer algumas batalhas, mas perderão a guerra da vida em que paz de espírito é essencial.
Porém, lembrando que “P = NAV”, afirmo que nunca é tarde para mudar; querer ser melhor. Vencer pela competência sim, mas com respeito, ética, humildade, honestidade e honra.
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